segunda-feira, 6 de junho de 2011

Destino III: Carmo da Cachoeira



Para minha surpresa e encantamento, minha última manhã na casa do Marcelo e da Giovanna foi enfeitada por uma forte geada que cobriu grande parte do sítio. Até aqueles dias, as madrugadas já haviam sido bem frias, mas não tinham chegado a tanto. Ouvi dizer que a temperatura pode ter chegado a 4ºC negativos e, como aprendemos nas nossas aulas de ciências na escola, ao chegar a 0ºC a água passa do estado líquido para o estado sólido. E lá estavam ao me levantar, cristaizinhos de gelo espalhados pela grama.
Resolvi seguir o conselho do Marcelo de ir conhecer a Fazenda Figueira em Carmo da Cachoeira. Segundo o Marcelo, lá eles também tinham uma experiência de vida em comunidade e focavam a espiritualidade. Coisas que eu estou buscando nessa viagem. Então, aproveitando que a Gio iria pra São Paulo, fui com eles até Cambuí para pegar um ônibus para Pouso Alegre e de lá pegar outro para Carmo da Cachoeira, onde fica a Fazenda Figueira.
Foi tudo no tempo certo. Chegar, comprar passagem e entrar no ônibus. Tivemos apenas uns minutinhos pra tomar um capuccino quente e comer uma empada enquanto eu escrevia as primeiras palavras no caderno de estagiários da Arca no Brasil. Se eu pudesse, escreveria muito mais, agradeceria muito mais... Tenho muita gratidão por aqueles dias em que estive lá, vivendo e aprendendo tantas coisas.
Então, fui. Na viagem para Carmo, eu estava dormindo no ônibus quando de repente abri os olhos, olhei pela janela e vi a placa: "Carmo da Cachoeira, retorno à direita". O ônibus parou segundos depois e eu fui o único a descer, em plena Fernão Dias. Isso é uma coisa que me deixa muito feliz. Eu sinto que sigo essa viagem com meu anjo da guarda e é ele que me acorda e me dá esses toques quando estou sozinho. Embora esteja sozinho fisicamente, estou sempre acompanhado por ele.
Me informei de como eu poderia chegar na Fazenda e me disseram que eu deveria ir à casa de acolhimento no centro da cidade, perto do hospital. Andei 40 minutos até lá com o mochilão nas costas. Foi a primeira vez que senti num mesmo dia a temperatura oscilar uns 30º. No mesmo dia que na madrugada fez -4ºC, ali já fazia uns 26ºC. Tive que encontrar um canto da estrada pra tirar uma das calças que eu vestia.
Na entrada da casa de acolhimento, fui recebido por uma senhorinha toda branca, sentada na escada, com um sorriso leve no rosto e uma voz calma. Parecia um anjo (ou anja?). Ela disse que eu estava no lugar certo e que eu tinha o "jeito de Figueira". Me indicou aonde eu deveria ir e depois nunca mais a vi.
O certo era marcar uma entrevista, fazê-la, marcar o dia de ida e depois ir. Eu não fiz nada disso porque não conseguia falar por telefone e eles não respondiam meus e-mails. Resolvi ir sem avisar e ver o que ia dar. Já ao chegar a moça da secretaria disse que eu não poderia ir para a fazenda naquele dia (segunda) porque na terça teria um retiro de silêncio, mas que ela iria tentar arrumar uma pessoa para fazer a minha entrevista. 40 minutos depois fui a outro lugar e uma senhora chamada Lourdes veio conversar comigo. Em poucos minutos ela fez uma apresentação do que era a Figueira (uma conversa um tanto louca para alguns, ainda mais falada resumidamente). Eu fiquei a maior parte do tempo calado, tentando entender do que se tratava e expliquei que o meu objetivo naquele lugar era estar comigo mesmo e em paz. Acho que ela entendeu as minhas boas intenções e me colocou no ônibus que iria para a fazenda em 15 minutos. Assim eu fui.

Foto: Estrada a caminho da cidade, 6 horas da manhã.



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